Monday, February 08, 2010

Robinho é show...


Vou tentar fazer um post novo amanhã, mas não prometo nada :P

Abraços maranhenses

Saturday, February 06, 2010

Contos em Damasco parte 2

E o figura continuou contando as peripécias dele por ambiente nunca dantes navegados (ou documentados, como achares melhor). Uma hora veio um pedido que eu tenho certeza que era o desejo de várias pessoas diferentes naquele recinto. Um dos espectadores que ouvia maravilhado as suas histórias pediu para que ele contasse algumas das suas peripécias quando havia sido enjaulado por perturbar a paciência da censura síria. Pensei que ele ia não gostar muito de ficar falando dessas coisas, afinal, ele poderia ter problemas por causa disso, mas ele estava visivelmente empolgado por possuir uma plateia internacional para suas histórias e parecia não se importar muito.
Ele contou que certa vez trabalhava pelas proximidades da fronteira da Síria com o Iraque quando ele começou a filmar alguns veículos militares sírios patrulhando a área. Se tem uma das coisas que aprendemos cedo quando viajamos por zonas problemáticas, é essa: Nunca, sob motivo algum, filme ou bata foto de militares. Eles realmente não ficarão felizes com isso. Agora imagine como deve ocorrer com militares numa fronteira próxima a um campo de batalha como aquela? Logicamente aquilo não iria acabar bem...

Os militares viram aquele jornalista serelepe e não tiveram dúvida. Correram atrás dele, deram algumas bordoadas e o levaram preso sob a cordialidade do exército sírio. Ele foi jogado numa cela imunda e lá ficou durante alguns dias temendo o que poderia acontecer com ele, já que não era a primeira vez que ele fora preso e, caso os militares descobrissem os seus “antecedentes”, ele poderia estar encrencado, pois eles poderiam achar que ele era um espião a serviço de alguém. Como “direitos e garantias fundamentais do cidadão” não devem ser o forte da Constituição deles, uma suspeita dessas poderia, segundo ele, ser motivo para execução sumária.
Felizmente, ele não foi identificado e ficou apenas por umas semanas naquela prisão até ser enfiado dentro de um camburão e solto em Damasco. Apesar de ter ficado apenas alguns dias, ele disse que foi o suficiente pra poder testemunhar algumas histórias, no mínimo, inusitadas em uma prisão do barulho com uma galerinha agitada aprontando altas confusões.

Dois dias depois que ele havia chegado, apareceu uma daquelas figuras que a gente acha que só existe em um filme americano de baixo orçamento ou nos cartazes de grupos xenófobos. Apareceu na cela dele um saudita com um turbante branco na cabeça, um alcorão gigantesco nas mãos e uma cara de maluco sem igual. Conviveram juntos por um tempo. Esse saudita ficava o dia inteiro sentado no canto da cela lendo o Alcorão e cantando músicas de adoração a Maomé. O cara era o estereótipo de fanático que nos vemos por aí na Tv. Depois de um tempo, ele, como não tinha muito o que fazer, resolveu puxar um papo com o saudita e saber o que diabos um cara daqueles fazia numa prisão síria. Ele explicou que indignado com o que via na TV (sempre ela), com os americanos bombardeando dia após dia árabes em todo o Oriente Médio e devido a cumplicidade de seu país que não fazia nada para mudar esse quadro (gente, só pra lembrar, a Arábia Saudita é uma das mais importantes aliadas dos EUA no Oriente Médio), ele resolveu fazer alguma coisa. Juntou uma boa grana, conversou com alguns caras barra-pesada que manjavam de explosivos e decidiu o que ele queria ser quando crescer: ir pro Iraque porque queria se explodir com um americano. Eu admiro esse tipo de gente, rapaz! Esse tipo de gente que vai lá e tenta mudar a situação ao invés de ficar em casa vendo TV e reclamando que ninguém faz nada. Esse rapaz é um exemplo! Seria bom se tivéssemos um cara desse aqui em Brasília pra ver se ele explodia logo era o Arruda e toda aquela máfia dele...

Chegando na Síria, ele viu que teria dificuldades de conseguir cruzar a fronteira para o Iraque, pois, afinal, nunca é fácil entrar numa zona de conflito. Depois de conversar com algumas pessoas que haviam por lá, ele conheceu um taxista que sabia de uma trilha pra poder atravessar a fronteira do Iraque sem ter problemas com postos de fronteira ou tropas da coalizão, mas que, devido o risco que era gigantesco, ele só aceitaria levá-lo se o saudita pagasse uma boa grana:
- 5000 dólares tá bom? - ofereceu o saudita
- Cara, bom, bom, não é! Mas como você tem uma boa causa (boa causa... Explodir americanos no Iraque sempre deve ser uma boa causa, né?), eu vou fazer isso por você. Entra no carro aí, a gente parte agora...

E logicamente vocês já deduziram o final da história. O taxista embolsou os 5000 dólares do saudita e entregou aquele louco para a polícia de fronteira. Não precisa ser um bacharel em ciências militares pra poder deduzir que pra atravessar fronteiras desapercebido (ainda mais uma das fronteiras MAIS VIGIADAS do planeta), você o faz a pé, de caminhonete 4X4, de barco, sei lá, trilhas alternativas, mas certamente você não consegue fazer isso com um táxi amarelo escrito “Welcome to Syria” com um saudita como uma cara de louco no banco de passageiros. E lá estava o saudita sob a hospitalidade do exército sírio, cada dia mais sonhando com o dia em que iria se explodir em pedaços levando uma americano consigo.
Galinha não!! Galinha não!!



E não é que Alá é um cara irônico? Alguns dias depois do saudita maluco ter chegado na prisão dos caras, apareceu um cara que era totalmente diferente de tudo o que já havia aparecido por aquela prisão. Ele era alto, tinha olhos claros, pele branca... Sim, um soldado americano.
O cara estava patrulhando a fronteira e se perdeu dos seus companheiros. Ficou perdido vagando por uns dois dias à procura da base até que, sem saber, cruzou a fronteira do Iraque, entrou na Síria e foi capturado por tropas sírias. Ele se rendeu e foi levado sob custódia para essa mesma prisão na fronteira que parecia ser bem movimentada. O nosso amigo sírio não chegou a conhecê-lo pessoalmente, mas depois de um tempo foi perguntar a um dos guardas porque eles riam tão alto enquanto interrogavam o americano. Pô, torturar até pode, né, cara? Arrancar uns dentes, quebrar uns ossos, furar um dos olhos, arrancar as unhas, jogar água fervente no cara, botar ele pra assistir Superpop... Tudo tá valendo, mas vê-los rir, assim, sadicamente, enquanto torturam um prisioneiro deveria ser algo para deixar qualquer um com medo. Ainda mais quando você lembra que VOCÊ é um prisioneiro sob suspeita de espionagem e fatalmente, mais cedo ou mais tarde, terá o mesmo destino dele.
O carcereiro foi contou a história desse pobre americano. Assim que ele foi capturado, os soldados sírios o levaram para a “sala do chefe” pra saber o que deveriam fazer com ele. Sentaram-no num sofá e ficaram discutindo o que fazer. Logicamente eles conversavam em árabe. Depois de um tempo o chefão lá achou que seria melhor tratá-lo bem, pois ele poderia mais tarde ser utilizado como moeda de troca por prisioneiros sírios no Iraque e era fundamental que ele estivesse bem alimentado e bem-tratado para facilitar as negociações. Devido a isso, ele comeria não a comida dos prisioneiros comuns (que era um lixo), mas sim a comida dos oficiais. Como o cara havia ficado alguns dias perdido no deserto, ele deveria ter fome e o chefão ordenou que servissem galinha para ele comer.
Rapaz, pra que? Na hora que esse cara ouviu a palavra “galinha” em árabe, ele se desesperou!! Diz que ele começou a gritar que nem louco, no pouco árabe que ele sabia: “galinha não, galinha não!”, desesperado. Dizendo o carcereiro que até se ajoelhar o americano se ajoelhava gritando “galinha não, galinha não!”. Os militares ficaram se olhando com uma cara de “esses ocidentais são realmente bem estranhos” e ficaram querendo entender qual o seria o singelo motivo daquele medo de galinha incontrolável do americano. E ele não parava... Quase chorando, implorando e gritando “galinha não, galinha não” por um bom tempo. E os sírios sem entender porque diabos o cara tinha tanto medo de galinha como ele... Será se ele já havia sido atacado por uma ave antes?
Será se ele já havia sido abusado sexualmente por um galo ensandecido?
Por que galinha despertava aquele medo tão grande no cidadão? Era algo que ninguém conseguia explicar...
Até que um dos soldados percebeu que o cara não estava falando a palavra “galinha” em árabe, mas sim, sei lá, algo como “galin”. Tipo, o soldado não estava implorando pra não lhe servirem galinha, ele estava implorando porque havia entendido o nome de uma cidade do Iraque com o nome MUITO parecido com a palavra “galinha” em árabe, cidade onde, pelo menos durante o tempo que ele estava lá, estavam ocorrendo os combates mais vorazes entre tropas da coalizão e insurgentes e onde soldados americanos morriam a rodo!! O soldado, como não falava árabe, só entendia eles falarem a palavra “galinha” e achava que os militares estavam discutindo como iam fazer para entregá-lo para os insurgentes que lutavam nessa cidade. E, digamos assim, os insurgentes não seriam lá tão amigáveis se o pegassem. Por isso que o cara gritava desesperado que “galinha não! Galinha não!”. Ele na verdade implorava para que não o enviassem para essa cidade. Quando eles entenderam, a gargalhada foi geral e depois de algum tempo conseguiram explicar pra ele a situação. Só assim pro bicho ficar mais calmo.
O que deu desse soldado no final? O sírio disse que não soube, ele foi solto antes do soldado americano e também não chegou a sequer trocar algumas palavras com ele. Por quê? Bem, porque enquanto ele conversava com o carcereiro acerca dessa história, um maluco lá no cantinho da cela, lendo o Alcorão, ouviu parte da conversa e começou a gritar:
- Americano?!?!? Americano?!?!?!? Onde?? Há um americano aqui??? Tragam pra mim!! Tragam-no!!! Tragam-no que eu quero me explodir com ele!! Eu o matarei com as minhas próprias mãos!! Tragam-o aqui...

Acharam melhor não colocar o americano naquela cela com o saudita por motivos óbvios.. O americano não saíria.
O saudita era realmente “gente que faz”...

Wednesday, February 03, 2010

A Gruta

Galera, essa semana tá meio embaçado pra eu postar algo no blog. Tou passando o dia inteiro na biblioteca e a noite tou tendo aula, logo, vocês já devem ter deduzido: Sem tempo pra poder escrever o blog. É o meu último mês antes do concurso, portanto vou ter que focar mais pra não perder essa oportunidade. Logo, por favor, não se importem com os atrasos que possam vir a ocorrer.

Pra não deixar vocês sem nada nesse post, vou postando um vídeo que o Thiagones me passou o Bizú. É um filme interativo, algo como uma mistura de RPG e Você Decide. O filme tem vários finais diferentes e você vai decidindo como a história pode se desenrolar. Cara, eu fiquei IMPRESSIONADO com a qualidade das filmagens e mais ainda com a atriz! Gente, que mulher linda!! No Maranhão tem mulher assim não...

Pra quem não lembra quem é o Babalu e o Thiagones, basta dar um bizú no vídeo abaixo, o Puxando Papo, um dos programas preferidos da casa:


O Thiagones é o grandalhão e o Babalu o de cabelo rastafári.

Então, o filme é composto de onze finais diferentes e você pode ir jogando e escolhendo como ela se desenrola. Cara, é MUITO legal e você realmente pode perder HORAS jogando e se divertindo. Uma ideia GENIAL e uma edição perfeita. Só uma palavra: SENSACIONAL!!!


Mermão, PIREI vendo isso, hahahahahahahaha

Abraços maranhenses

Monday, February 01, 2010

Contos em Damasco

P.s: Galera, coloquei algumas fotos de Beirute bombardeada pra poder ilustrar a história. LOGICAMENTE as fotos não são minhas e as peguei na internet...

Numa das noites que eu fiquei em Damasco, o Matt me levou pra um lugar super interessante. Era parecido com um café, com almofadas coloridas pelos cantos e algumas pessoas conversando e tomando cerveja. É meio complicado de explicar, mas o ambiente respirava um agradável ar de liberdade devido aos assuntos discutidos por todos que se encontravam por lá. Dentre todas as pessoas que se encontravam, uma se destacava: Era um árabe com uma idade um tanto quanto maior que a maioria das pessoas que lá estavam (ele parecia ter uns 35 anos) e todo mundo parava pra poder ouvir as histórias do cara.

Não lembro o nome dele, mas ele trabalhava com documentários e trabalhos jornalísticos. O cara realmente era bem carismático e era bem interessante ouvir o que ele falava. Ele já havia sido preso algumas vezes pelo governo sírio, porque, cá entre nós, jornalistas sempre se dão mal em regiões como essas, ainda mais um cara como ele que, pra piorar ainda mais a sardinha dele na Síria, era comunista. Comunista e jornalista na Síria deve ser como ser pobre e favelado no Brasil: Alvo preferido da polícia. Uma das grandes atrações foi ele contando das diversas vezes que ele foi preso. Mas isso vou deixar pra falar mais na frente, porque antes de contar sobre isso, boto fé que seria muito interessante contar sobre a experiência do figura na sua cobertura dos conflitos no Oriente Médio.

O figura já era veterano de quebra-pau. Já havia “servido” no Líbano em 2006 durante a invasão israelense e também ficou durante um tempo cobrindo a Guerra do Iraque. Ele tinha várias história e todas tinham um desfecho inesperado.
Ele disse que durante o tempo em que ele estava cobrindo os bombardeios israelenses ao Líbano em 2006, estava viajando pelo país com uma americana que também era jornalista. Eles estavam exatamente na zona de conflito e enquanto ele dirigia, a americana pôde ver que havia fumaça ao longe por detrás de algo que parecia ser uma colina e, como diz o ditado popular, onde há fumaça, há fogo. Os dois resolveram ir lá pra ver o que era e se deparam com uma das cenas mais chocantes que ele já tinha visto na vida dele. E olha gente, pra uma cena chocar um cara desses, um cara que trabalha no Oriente Médio, cobrindo zona de conflito, deve ter sido um petisco do inferno mesmo. Ele falou que assim que eles pararam o carro e ele foi ver, ele viu um ônibus amarelo em chamas e vários corpos dentro completamente carbonizados. Quando ele pôde se aproximar, percebeu que era realmente o que ele temia que tivesse acontecido. Os corpos que estavam lá dentro não eram corpos de adultos, mas sim de... crianças! Um míssil israelense havia atingido um ÔNIBUS ESCOLAR por engano e matado TODOS os ocupantes que estavam lá dentro. Há sim, sempre bom lembrar... Todos morreram carbonizados, queimados, como você acha melhor. Segundo ele, foi possível perceber que um dos braços que estava do lado de fora do que restou da janela do ônibus parecia segurar algo como um lenço branco, o que o levou a deduzir que as crianças ao avistarem que caças israelenses sobrevoavam por cima de suas cabeças, tentaram desesperadamente acenar com bandeiras brancas para demonstrar que eram civis. Logicamente não funcionou, haja vista que é impossível pra um piloto de caça há milhares de metros do chão avistar uma bandeira branca. Acabaram todos tendo uma morte lenta e agonizante.

Com uma cena daquelas na frente dele, ele sacou a sua câmera da mochila e começou a filmar e a fotografar o que havia restado dos pequeninos corpos para posteriormente entregar para as emissoras de TV sírias que, segundo ele, não tinham essas “frescuras” de ficar cortando as cenas mais chocantes. Mostram a verdade nua e crua diretamente na telinha. Depois de algum tempo chocado e filmando tudo o que pôde, ele voltou para o carro e começou a dirigir novamente com a americana. Diz ele que estava tudo de boa quando algo lembrou a ele que por onde passavam. Algo o relembrou que eles estavam atravessando uma zona de conflito. O carro deles começou a ser alvejado por tiros de metralhadoras vindos de todos os lados. Ele como bom cavalheiro e levando em consideração que havia uma mulher ao lado dele, fez o que era certo: Abriu a porta do carro, pulou pra fora, começou a meio que correr e rastejar ao mesmo tempo e deixou a americana lá dentro desesperada gritando por ajuda. É amigo, ali o negócio era de macho mesmo. Ele se escondeu atrás de uma moita e depois de um tempo a mulher parou de gritar. Os gritos cessaram e algumas vozes gritando em árabe puderam ser ouvidas. Elas gritavam para ele se render. Ele começou a gritar que não era israelense, mas sim sírio e os soldados foram lá falar com ele. Quando realmente viram que ele era sírio, pediram desculpa pela forma que o “abordaram” (esses soldados sempre tem maneiras singulares de abordar as pessoas, basta ver como fui abordado nesse tópico aqui. Me lembrou uma abordagem semelhante na Indonésia...) e falaram que eles meteram bala porque acharam que eles fossem de alguma patrulha israelense que estava fazendo reconhecimento de terreno, pois eles haviam acabado de ser bombardeados. No final ele só explicou que era jornalista e a americana que tava lá dentro também. Enfim, ele só achou que a americana não ia aceitar muito as desculpas porque, digamos, o pedido de desculpas ia chegar um pouco tarde, já que como ela tinha parado de berrar desesperadamente dentro do Jipe, eles acharam que ela tinha sido morta, mais furada que uma tábua de pirulito.

Ele foi lá pra checar e, MILAGROSAMENTE, ela não tinha sido sequer atingida. Diz que o susto foi tão grande que no final ela acabou desmaiando e isso salvou sua vida, porque se tivesse ficado sentada, fatalmente teria morrido. Eles deram três tapas na cara dela e ela acordou com a aquela cara de “São Pedro, é você?”. Ela levou um tempo pra se recuperar e pra realmente acreditar que ainda estava viva. No final eles seguiram de volta pra Damasco e ele nunca mais ouviu falar dessa jornalista... Acho que depois desse susto ela nunca mais quis saber de ser jornalista na vida dela... Deve estar trabalhando até hoje de babá em alguma casa de uma madame americana. Hahahahaha...
Ele também contou que por um tempo cobriu a Guerra do Iraque morando em Bagdá e que ficou um tempo por lá. Perguntei pra ele se não era perigoso ele morar por lá e ele falou que era de boa, afinal, ele era árabe, falava árabe e se misturava com os árabes. Depois de um tempo por lá ele resolveu capar o gato (ir embora) quando ouviu que os americanos estavam procurando qualquer sírio ou iraniano que estivesse trabalhando por Bagdá e oferecendo uma recompensa por eles. Os americanos temiam que cidadãos desses dois países pudessem estar trabalhando para a inteligência inimiga e, pra não arriscar, estavam à caça de qualquer forasteiro que tivesse acabado de chegar de um desses dois países pra levar pra um interrogatório ou possivelmente uma temporada de férias em Guantánamo. Depois disso, ele resolveu picar a mula dele e por isso tinha voltado a Damasco para poder trabalhar na Síria mesmo porque era, veja só, mais seguro...

No próximo post conto mais história engraçadas acerca desse figura...

Saturday, January 30, 2010

Final inesperado

Vi esse vídeo no Kibeloco e tenho que concordar com o Tabet.
Cara, esse vídeo tem um dos mais INESPERADOS finais que eu já pude ver na minha vida. Tente adivinhar o que vai acontecer no fim. Eu tenho CERTEZA que você não vai acertar!!! Nossa, mas eu ri MUITO disso...


Amanhã tento colocar um post novo..

abraços maranhenses

Wednesday, January 27, 2010

O maior restaurante do mundo

De noite apenas passamos em casa pra tomar um banho e seguimos direto para o maior restaurante do mundo (Huá Huá Huá). Pra que eu não precise explicar tanto acerca do estabelecimento, colo uma reportagem da Folha de São Paulo que fala sobre ele:
“ Com capacidade para mais de 6.000 pessoas, o restaurante Damascus Gate, na Síria, entrou para o "Guinness", o livro dos recordes, como o maior restaurante do mundo.
O Damascus Gate conquistou o título que pertencia a um restaurante na Tailândia, com capacidade para 5.000 pessoas.
Para confirmar o recorde, representantes do "Guinness" exigem que o restaurante tenha capacidade para servir todas as mesas.
Segundo Qusai Halasa, representante do livro de recordes, "a cozinha do restaurante pode ser comparada a uma minifábrica".
O restaurante, que fica nos subúrbios de Damasco, está aberto desde 2002.
Além de fontes e réplicas de ruinas arqueológicas, o Damascus Gate também tem áreas temáticas separadas para a culinária indiana e a chinesa.
Durante o verão, a época de mais movimento, até 1.800 empregados trabalham no restaurante.”
O restaurante em si é bem legal, cara. Logo na entrada do restaurante, há uma plaquinha onde é possível observar o certificado que o Guiness entregou comprovando o recorde a que lhe foi atribuído.

A comida não era cara e, o melhor, eles serviam muita, mas MUITA carne!! Pode parecer besteira, mas a gente se acostuma tanto em comer carne no Brasil que acha que isso é normal no mundo inteiro.

Tecla Pause

Bem, é bom sempre lembrar que o nosso país é hoje o maior produtor de carne bovina do mundo, por isso que aqui ela é tão barata e por isso que comemos em abundância. Mas depois de um tempo viajando, cara, a carne na comida vai rareando mais e mais até que chega um dia em que você começa a salivar quando olha um gato passeando no meio da rua. Só pra vocês terem uma ideia, eu fui preparar um almoço quando estava em Istambul e fui cair na besteira de comprar carne. Rapaz... o quilo da carne no restaurante tava custando um absurdo: 18 dólares o quilo do bife. Nem era filé-mignon, nem nada. Era aquele bife mesmo que a gente compra no supermercado pra poder fazer um sanduba quando chega em casa.
Venham a mim, fiéis...

Tecla Play

Eu PIREI na Síria quando vi o meu prato LOTADO de carne quando ele chegou. Comida barata, foi uns 15 reais pelo jantar, mais ou menos o que a gente paga em restaurante por quilo aqui no Brasil. A diferença é que eu estava no MAIOR RESTARAUNTE DO MUNDO!! (Huá Huá Huá, risadas maquiavélicas).
Além da experiência de estar no MAIOR RESTAU... bem, você já sabem, também foi interessante porque o Matt chamou um amigo dele egípcio pra ir com a gente e o cara era gente boa DEMAIS!! Infelizmente o nome dele eu não lembro mais, mas ele é esse cara aí com a língua de fora ao lado do Matt:

Ele me explicou várias curiosidades sobre o Egito e o Islã que eu não sabia. Primeiro, o Egito possui a inacreditável população de 66 milhões de pessoas!! “Ah, mas peraí, o Brasil inteiro tem 190 milhões de pessoas”. Sim, amigo, mas só a título de comparação, o estado do Mato Grosso que é um pouco menor que o Egito, tem uma população de 2,5 milhões de pessoas. “Tá, mas o Mato Grosso é despovoado”. Ok e que tal o Estado de Minas Gerais? Tem a metade do território do Egito, é o segundo estado mais populoso do Brasil e possui 20 milhões de habitantes!! Menos de um terço da população do Egito! E, ah sim, o Estado de Minas Gerais tem vários rios cortando o território, São Francisco o mais notável, e além disso possui grandes extensões de terras férteis e agricultáveis!! Depois ele pediu pra eu checar em um mapa e quando eu me dei ao trabalho de fazer isso e vi que, assim como ele me falou, o Egito é praticamente uma faixa! Mais de 90% da população egípcia vive às margens do Rio Nilo!! O resto do país é extremamente desértico! Vejam que as principais cidades do Egito praticamente “seguem” o Rio Nilo e apenas algumas grandes cidades situam-se no deserto e fora da região costeira.

Eu achei isso muito impressionante.

Ele também me explicou como é que funcionava a peregrinação anual que os muçulmanos faziam a Meca. Pra quem ainda não está ligado, a religião islâmica se baseia em cinco pilares. A primeira é que você deve acreditar em apenas um Deus. A segunda é que você deve orar cinco vezes ao dia voltado a Meca. Terceira, sempre que possível pagar esmolas para ajudar aos necessitados. Quarta, jejuar durante o Ramadã (quase como os nossos amigos faziam na Turquia). Quinto e último é o de, realizar um ataque suicida contra os Estados Unidos?, não! O quinto pilar é o de que todo muçulmano deve fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez durante a vida. Lógico que quem não tiver condições financeiras ou de saúde não será renegado ao inferno, mas todos tentam ao máximo realizar a sua peregrinação para a cidade sagrada. Muitos economizam a vida inteira para poder obter essa graça.

“E como ocorre essa peregrinação a Meca?” A wikipedia sempre explica:

“Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico. Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Kaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marwa. Na última parte do Hajj os muçulmanos devem passar uma tarde na planície de Arafat, onde Maomé disse o seu "Último Sermão". Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.”

Durante este período, se, LOGICAMENTE, você for muçulmano, a Arábia Saudita concede vistos de graças para todos os interessados em visitar as duas cidades, para facilitar que os peregrinos possam ter a graça de visitar a cidade mais importante para eles. Lendo a descrição acima parece fácil, né? Mas imagina como é para organizar milhões de pessoas para que elas possam dar as voltas em torno da Kaaba, correr entre as duas colinas … Segundo ele, a logística de um evento dessa magnitude é uma das maiores obras da humanidade. Uma grande demonstração de fé que infelizmente só é possível presenciar para os muçulmanos.
Depois da peregrinação a Meca, quando você volta pra casa, há uma grande festa em que todos comemoram a sua façanha e você segue feliz a sua vida sabendo que cumpriu mais uma etapa tão importante da sua vida. Ele depois ficou falando que hoje, devido ao grande número de pessoas que peregrinam a Meca todos os anos, os sauditas tiveram que deslocar montanhas pra poder ter mais espaço na cidade. E ele ficava gritando o tempo todo: MONTANHAS!! VOCÊ SABE O QUE É ISSO? MONTANHAS... Hahahaha. Acabou que depois disso quando todo mundo ficava calado a gente ficava gritando “MONTANHAS!! MONTANHAS!!!”. Gente boa demais o figura...
No final pegamos um táxi pra poder voltar pra casa. Não sei se eu já falei isso pra vocês, mas taxista é a raça mais FILHA DA PUTA que eu pude conhecer enquanto viajava. Como dessa vez não tinha soldado pra colocar o bicho no motorista, ele tentou, logicamente, nos roubar quando chegamos. O Matt e um outro suíço que estava com a gente simplesmente falaram pra gente descer do carro e ir andando. O taxista desceu do carro e foi gritando com a gente quase uns cem metros, mas no final percebeu que a gente não ia dar nada, também que ele não ia conseguir botar medo em uns quatro machos e resolveu seguir o rumo dele. Eita racinha ruela essa...


Matt e o suíço negociando com o taxista. Reparem a mina rindo com uma cara de "esse taxista só pode ser lunático..."